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Oração de São Francisco: "Senhor, fazei-me instrumento" (texto)

A oração de São Francisco na íntegra, sua origem verdadeira (1912), a vida do santo de Assis, o que ele realmente escreveu e a festa de 4 de outubro.

Equipe Verbius6 min de leitura
hábito marrom franciscano com corda de três nós pendurado numa parede de pedra ao lado de uma janela iluminada
Neste artigo (6 seções)
  1. A oração de São Francisco (texto completo)
  2. Quem escreveu a oração da paz?
  3. Quem foi São Francisco de Assis
  4. O que São Francisco realmente rezou
  5. Como rezar a oração da paz no dia a dia
  6. 4 de outubro: a festa de São Francisco

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.” Poucas frases resumem tão bem o que o mundo espera de um cristão, e poucas orações são tão rezadas fora e dentro da Igreja quanto a oração de São Francisco, também chamada oração da paz ou oração simples. Ela aparece em casamentos, funerais, escolas, hospitais e reuniões de recuperação. Curiosamente, São Francisco de Assis não a escreveu: o texto tem pouco mais de cem anos. Neste artigo, você encontra a oração na íntegra, a história verdadeira da sua origem, a vida do santo que a inspirou, as orações que ele de fato compôs e como viver a oração da paz no dia a dia, especialmente na festa de 4 de outubro.

A oração de São Francisco (texto completo)

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão; onde houver discórdia, que eu leve a união; onde houver dúvida, que eu leve a fé; onde houver erro, que eu leve a verdade; onde houver desespero, que eu leve a esperança; onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.

A estrutura é de uma clareza que explica o sucesso: primeiro, oito pares de opostos em que o cristão é chamado a ser o “instrumento” que Deus usa para transformar o ambiente; depois, três pedidos de inversão do egoísmo; por fim, três paradoxos do Evangelho, que ecoam “há mais alegria em dar do que em receber” (Atos 20,35) e “quem perder a sua vida por minha causa a encontrará” (Mateus 16,25).

Quem escreveu a oração da paz?

O texto foi publicado pela primeira vez em dezembro de 1912, em francês e sem assinatura, numa modesta revista devocional de Paris chamada La Clochette, editada pelo padre Esther Bouquerel. Nada indicava relação com Assis. Em 1916, durante a Primeira Guerra, o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, reproduziu a oração como um pedido de paz, e ela começou a circular pela Europa.

A ligação com São Francisco veio por volta de 1920, quando um frade capuchinho a imprimiu no verso de uma estampa do santo. Bastou isso: em poucos anos, o texto passou a ser chamado “oração de São Francisco”. Estudiosos franciscanos confirmam que ela não consta de nenhum manuscrito medieval nem dos escritos autênticos de Francisco. A Igreja nunca teve problema com isso: a oração é boa, ortodoxa e franciscana no espírito. Saber a origem só ajuda a rezá-la com verdade, sem atribuir ao santo o que ele não escreveu.

Quem foi São Francisco de Assis

Giovanni di Pietro di Bernardone nasceu em 1181 ou 1182, em Assis, na Úmbria, filho de um rico comerciante de tecidos que o apelidou de Francesco, “o francês”. Viveu a juventude entre festas e sonhos de glória militar; foi feito prisioneiro numa guerra contra Perúgia e voltou doente. A conversão aconteceu aos poucos: o abraço num leproso, a oração na capelinha em ruínas de São Damião, onde ouviu do crucifixo “Francisco, vai e repara a minha casa”, e, em 1206, o gesto radical de devolver ao pai as roupas e o nome, na praça, diante do bispo, para ficar só com Deus.

Reconstruiu igrejas com as próprias mãos, viveu de esmolas e, quando outros jovens o seguiram, escreveu uma regra de vida feita de trechos do Evangelho. Em 1209, o Papa Inocêncio III a aprovou oralmente: nascia a Ordem dos Frades Menores. Em 1219, no meio de uma Cruzada, Francisco atravessou as linhas de combate para conversar com o sultão al-Kamil, no Egito; em 1223, montou em Greccio o primeiro presépio vivo; em 1224, no monte Alverne, recebeu no corpo as chagas de Cristo. Cego e doente, compôs o Cântico das Criaturas. Morreu na noite de 3 de outubro de 1226, deitado na terra nua da Porciúncula, e foi canonizado menos de dois anos depois, em 1228, pelo Papa Gregório IX. Em 1979, São João Paulo II o declarou padroeiro da ecologia; em 2013, o Papa Francisco escolheu o seu nome.

O que São Francisco realmente rezou

Os escritos autênticos de Francisco são curtos e cheios de Escritura. A oração mais antiga que se conhece dele é a que rezou diante do crucifixo de São Damião, no início da conversão:

Altíssimo, glorioso Deus, iluminai as trevas do meu coração e dai-me fé reta, esperança certa e caridade perfeita, sentido e conhecimento, Senhor, para que eu cumpra o vosso santo e verdadeiro mandamento. Amém.

E o Cântico das Criaturas, escrito em 1225, começa assim: “Altíssimo, onipotente, bom Senhor, vossos são o louvor, a glória, a honra e toda a bênção… Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol”. O Papa Francisco tirou desse cântico o título da encíclica Laudato si’ (2015). Note a diferença de tom: a oração da paz fala do que eu devo fazer; as orações de Francisco falam, antes de tudo, de quem Deus é. As duas se completam, e a segunda sustenta a primeira.

Como rezar a oração da paz no dia a dia

A oração de São Francisco é curta o bastante para caber em qualquer rotina, mas pede uma leitura lenta, um verso de cada vez. Três sugestões:

  1. De manhã, escolha um par. “Onde houver discórdia, que eu leve a união”: leve só essa linha para o dia e observe onde ela se aplica, no trânsito, no trabalho, em casa.
  2. Use-a como exame de consciência à noite. Cada verso é uma pergunta: hoje eu levei perdão ou cobrei a ofensa? Procurei compreender ou ser compreendido?
  3. Reze-a antes de uma conversa difícil. É a oração ideal para quem vai pedir ou oferecer reconciliação.

Ela combina bem com a oração da manhã e com a leitura de um trecho do Evangelho. A oração diária guiada no Verbius inclui a oração de São Francisco entre as orações do dia, para quem quer transformá-la em hábito e não só em citação.

4 de outubro: a festa de São Francisco

A Igreja celebra São Francisco em 4 de outubro. Na véspera, à noite, as comunidades franciscanas fazem o Trânsito, memória da sua morte, com a leitura do Evangelho de João que ele pediu para ouvir e o Salmo 141. No dia 4, muitas paróquias promovem a bênção dos animais, lembrança do santo que chamava as criaturas de irmãs.

O melhor jeito de celebrar, porém, é o que a oração da paz sugere: fazer-se instrumento. Uma boa preparação é rezar, nos nove dias anteriores, uma novena com a oração acima, se quiser seguir o roteiro do nosso guia sobre o que é novena e como rezar. E vale lembrar o conselho que a tradição atribui a Francisco, para quem sente que a paz que pede é maior do que consegue dar: comece fazendo o necessário, depois o possível, e de repente estará fazendo o impossível.

Perguntas frequentes

Qual é a oração de São Francisco?
É a oração que começa com "Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz" e pede para levar amor onde há ódio, perdão onde há ofensa e luz onde há trevas, terminando com "é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna".
São Francisco de Assis escreveu a oração da paz?
Não. O texto apareceu pela primeira vez em 1912, sem autor, numa pequena revista católica francesa chamada La Clochette. Nos anos 1920 foi impresso no verso de uma estampa de São Francisco e, dali em diante, ganhou o nome do santo. O espírito, porém, é profundamente franciscano.
Qual é o dia de São Francisco de Assis?
A festa é 4 de outubro. Francisco morreu na noite de 3 de outubro de 1226, na Porciúncula, perto de Assis, e por isso os franciscanos celebram na véspera o "Trânsito", a memória da sua morte. Em muitas paróquias há a bênção dos animais nesse dia.
O que São Francisco realmente escreveu?
Chegaram até nós textos autênticos como o Cântico das Criaturas ("Louvado sejas, meu Senhor"), a Regra dos Frades Menores, o Testamento, a oração diante do crucifixo de São Damião e as Saudações às Virtudes e à Virgem Maria. São textos curtos, cheios de louvor e de Escritura.

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