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Setembro é o Mês da Bíblia: por que e como participar

Por que setembro é o Mês da Bíblia no Brasil, o que a Igreja ensina sobre a leitura da Escritura e um plano simples de 30 dias para começar hoje.

Equipe Verbius5 min de leitura
bíblia aberta sobre mesa de madeira iluminada pelo sol da manhã
Neste artigo (5 seções)
  1. De onde vem o Mês da Bíblia
  2. O que a Igreja ensina sobre ler a Bíblia
  3. Como participar do Mês da Bíblia: 7 atitudes práticas
  4. Um plano simples de 30 dias: o Evangelho de Marcos
  5. Ler rezando: o segredo que muda tudo

No Brasil, setembro é o Mês da Bíblia: um convite anual da Igreja para tirar a Palavra de Deus da estante e colocá-la no meio da vida. A escolha do mês não é por acaso — em 30 de setembro celebra-se São Jerônimo, o tradutor da Bíblia que cunhou a frase mais citada dessa celebração: “desconhecer as Escrituras é desconhecer o próprio Cristo”. Neste artigo, você vai entender de onde vem o Mês da Bíblia, o que a Igreja realmente ensina sobre a leitura da Escritura e, principalmente, como participar de um jeito concreto: sete atitudes práticas e um plano simples de 30 dias para ler um Evangelho inteiro até o fim de setembro.

De onde vem o Mês da Bíblia

A prática de dedicar setembro à Bíblia nasceu em 1971, a partir de iniciativas da Igreja em Belo Horizonte, e logo foi assumida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para todo o país. Desde então, a cada ano a Igreja no Brasil propõe um livro bíblico para ser lido, estudado e rezado nas paróquias, nos círculos bíblicos e nas famílias durante o mês de setembro.

O mês termina no dia de São Jerônimo (30 de setembro), o monge erudito que passou décadas em Belém, junto à gruta do Nascimento, traduzindo as Escrituras para o latim — a tradução conhecida como Vulgata, que serviu a Igreja por mais de mil anos. Foi dele a frase que virou o lema de todo Mês da Bíblia:

“Desconhecer as Escrituras é desconhecer o próprio Cristo.” (São Jerônimo, citado no Catecismo da Igreja Católica, §133)

Mais recentemente, o Papa Francisco deu à Palavra de Deus um domingo próprio no calendário de toda a Igreja: o Domingo da Palavra de Deus, instituído em 2019, celebrado em janeiro. O recado dos dois gestos — o mês brasileiro e o domingo universal — é o mesmo: a Bíblia não é livro de especialista, é carta de Deus ao seu povo.

O que a Igreja ensina sobre ler a Bíblia

Ainda circula por aí a ideia de que “católico não lê a Bíblia”. O ensinamento da Igreja diz exatamente o contrário:

“A Igreja exorta com insistência e de modo especial todos os fiéis a adquirirem, pela leitura frequente das divinas Escrituras, ‘a ciência eminente de Jesus Cristo’.” (Catecismo da Igreja Católica, §133)

O Concílio Vaticano II dedicou uma constituição inteira à Palavra de Deus, a Dei Verbum, e pediu que os fiéis tenham “amplo acesso” à Escritura, lida dentro da fé viva da Igreja (Dei Verbum, 22 e 25). E a própria Bíblia descreve o que acontece com quem a lê: “a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes” (Hebreus 4,12). Não se trata de acumular informação religiosa, mas de encontrar uma Pessoa. Por isso a leitura pede oração antes, durante e depois — como explicamos no guia como ler a Bíblia.

Como participar do Mês da Bíblia: 7 atitudes práticas

Não é preciso virar biblista em trinta dias. Escolha duas ou três destas atitudes e viva-as bem:

  1. Leia o Evangelho todos os dias. Dez minutos, de preferência no mesmo horário — o Evangelho do dia no Verbius deixa o texto sempre à mão.
  2. Leia um livro inteiro, do início ao fim. É a experiência que mais transforma — o plano de 30 dias abaixo mostra como.
  3. Participe de um círculo bíblico ou grupo de leitura na sua paróquia; setembro é o mês em que quase toda comunidade oferece um.
  4. Dê um lugar visível à Bíblia em casa. Muitas famílias fazem em setembro a entronização da Palavra: a Bíblia aberta num lugar de honra, não guardada na gaveta.
  5. Decore um salmo. Um salmo sabido de cor é oração disponível para o resto da vida — o Salmo 23 é um ótimo primeiro.
  6. Reze com o que leu. Um versículo que tocou o coração pode voltar ao longo do dia, como respiração da alma.
  7. Presenteie alguém com uma Bíblia — ou ajude alguém a começar a ler. Fé partilhada cresce dobrada.

Um plano simples de 30 dias: o Evangelho de Marcos

Para quem quer uma meta concreta, a proposta é ler o Evangelho de Marcos inteiro em setembro. Marcos é o Evangelho mais curto — 16 capítulos, narrativa rápida, quase cinematográfica — e foi escrito justamente para responder à pergunta que atravessa o livro: “quem é Jesus?”.

O ritmo é leve: um capítulo a cada dois dias, com folga. Uma divisão possível:

  1. Semana 1 (dias 1-7): Marcos 1 a 4 — o início da missão, os primeiros chamados, as parábolas do Reino.
  2. Semana 2 (dias 8-14): Marcos 5 a 8 — os milagres, a multiplicação dos pães e a pergunta central: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Marcos 8,29).
  3. Semana 3 (dias 15-21): Marcos 9 a 12 — a Transfiguração, a subida a Jerusalém, o mandamento maior.
  4. Semana 4 (dias 22-30): Marcos 13 a 16 — a Paixão, a cruz e a manhã da Ressurreição.

Se preferir seguir com acompanhamento, os planos de leitura do Verbius organizam a caminhada por você: a leitura de cada dia aparece pronta, com lembrete para manter a constância — em setembro e depois dele.

Ler rezando: o segredo que muda tudo

Uma última chave, a mais importante. A diferença entre ler a Bíblia como literatura e lê-la como Palavra viva está numa atitude que a tradição chama de leitura orante: antes de ler, pedir luz ao Espírito Santo; ler devagar, como quem escuta; parar no versículo que tocar; responder a Deus com as próprias palavras; e sair da leitura com um propósito pequeno e concreto.

São Jerônimo, que conhecia as Escrituras como poucos na história, não as tratava como objeto de estudo, mas como lugar de encontro: “Quando rezas, falas com o Esposo; quando lês, é ele quem fala contigo”. Este setembro pode ser o mês em que essa conversa começa — e trinta dias depois, quem terminou Marcos raramente para por aí.

Perguntas frequentes

Por que setembro é o Mês da Bíblia?
Porque em 30 de setembro a Igreja celebra a memória de São Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia para o latim. No Brasil, a prática de dedicar setembro à Palavra de Deus nasceu em 1971 e foi assumida pela CNBB para todo o país, com um livro bíblico proposto para estudo a cada ano.
Por onde devo começar a ler a Bíblia?
Pelos Evangelhos, e não pela primeira página. O Evangelho de Marcos é a porta de entrada ideal: é o mais curto, direto e narrativo. Começar por Gênesis e ler de capa a capa costuma desanimar o leitor iniciante nos livros de leis e genealogias.
Quem foi São Jerônimo?
Um dos maiores estudiosos da história da Igreja (c. 347-420). Passou décadas em Belém traduzindo a Bíblia para o latim — a chamada Vulgata — e deixou a frase que resume o espírito do Mês da Bíblia: 'desconhecer as Escrituras é desconhecer o próprio Cristo'. Sua memória é celebrada em 30 de setembro.
Quanto tempo por dia preciso ler a Bíblia?
Dez a quinze minutos por dia bastam — e valem mais do que uma hora uma vez por mês. A constância importa mais do que a quantidade: um capítulo por dia, lido com calma e oração, transforma mais do que leituras longas e espaçadas.

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